
Em meio ao concreto e ao ritmo acelerado das grandes cidades, cresce silenciosamente um movimento de reconexão com as raízes do axé. Diversos terreiros urbanos vêm ressignificando o espaço religioso e ecológico, transformando quintais e centros comunitários em verdadeiros santuários de natureza e espiritualidade.
🌿 Terreiros como espaços verdes e de resistência
No coração de metrópoles como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, os terreiros voltam a ser vistos não apenas como templos religiosos, mas como refúgios ecológicos. A presença de ervas sagradas como Ogbó, Ewé Òwú, Iroko e Jojófá simboliza o elo entre a fé e a terra, resgatando o valor ancestral das folhas como portadoras do axé, a energia vital que conecta todos os seres.
“Cuidar das folhas é cuidar da vida”, explica Mãe Valdina de Ogum, sacerdotisa e educadora, que lidera um projeto de hortas litúrgicas em comunidades do Recôncavo Baiano. Segundo ela, cada planta carrega uma força divina, e cultivar essas espécies é também preservar a memória dos orixás.
🔥 Espiritualidade e sustentabilidade lado a lado
Em tempos de aquecimento global e crise ambiental, os terreiros vêm ganhando destaque por suas práticas sustentáveis: reaproveitamento de água da chuva, compostagem, hortas comunitárias e rituais que celebram o equilíbrio entre ser humano e natureza.
Essas iniciativas vêm sendo reconhecidas por organizações ambientais e culturais. Em 2024, o Ilê Axé Opô Afonjá recebeu uma menção honrosa da UNESCO pelo seu papel na preservação ambiental e cultural.
✨ Axé que floresce nas periferias
Nas periferias, jovens filhos e filhas de santo têm utilizado o axé como instrumento de educação e arte. Oficinas de percussão, dança, e confecção de instrumentos tradicionais transformam terreiros em espaços de aprendizado e valorização da ancestralidade.
“A gente aprende que o axé também se planta, nas pessoas, na terra e na cultura”, diz André de Xangô, músico e ogã do Terreiro Ilê Omi L’Odo, em São Paulo.
🌺 Raízes que atravessam gerações
Mais do que uma religião, o axé é um modo de viver em harmonia com o mundo natural. As folhas sagradas, o toque dos tambores e o som dos cânticos ecoam como lembrança viva de um Brasil que não pode se esquecer de suas origens.
O renascimento dos terreiros urbanos é, portanto, um chamado, não apenas à fé, mas à consciência: respeitar a natureza é manter o axé vivo.